O recente desenvolvimento do país, em matriz de Economia de Mercado, gerou no sector imobiliário situações tão delicadas que só uma mediação muito profissional conseguirá resolver. Sem esta consciência e sem um esforço no sentido da resolução desses problemas, sofrerão os mediadores mas, principalmente, os promotores e os consumidores finais.
Ao ciclo da quantidade, em matéria de construção, que caracterizou o último quartel do século XX, segue-se o ciclo da qualidade. É neste contexto que muita obra nova, já edificada, sente enorme dificuldade em ser colocada no mercado, tal como este ou aquele apartamento que um particular quer vender para adquirir nova casa.
Todos estes produtos, de maior ou menor qualidade, encontrarão quem os procure, mas já não é com a facilidade do antigamente, muito menos neste tempo, marcado pelo marketing e pela publicidade, onde é difícil garantir uma nesga de Sol, isto é, um pequeno espaço, no universo do conhecimento e da comunicação, para mostrar o que se tem para vender.
É em cenários difíceis como este que se revela a verdadeira mediação profissional, considerada como aquela que é capaz de mediar com sucesso, pesando todos os interesses em jogo sem minimamente ofender o consumidor final, em nome de quem se desenvolve toda a actividade deste sector fundamental para a Economia.
Mas nem sempre o que parece é. Exemplificando melhor: pode parecer a um particular que entregar a várias mediadoras o imóvel que quer vender é a opção certa. Pode parecer mas não é. O meu conhecimento do sector diz-me que um tal cliente apenas consegue que a casa dele vá engrossar umas quantas bases de dados de imóveis que aguardam novos donos.
Os grandes promotores imobiliários, que precisam de vender não um mas dezenas ou centenas de imóveis, há muito que contratam mediadoras em regime de exclusividade, com fixação de prazos e objectivos e com uma negociação em torno das obrigações publicitárias que a colocação dos produtos no mercado cada vez mais exige.
Mesmo assim é difícil garantir a tal nesga de Sol, o tal espaço pequeno do universo do conhecimento e da comunicação, para mostrar o que se tem para vender. Mas só assim, e pelo esforço contratual e dedicado do mediador (condicionado a uma exclusividade com prazos) haverá um mínimo de garantia de sucesso para o objectivo em vista.
Sem medo das palavras, direi que a exclusividade é hoje uma das questões centrais para o mercado e que o regime contrário, tradicionalmente visto como o mais favorável para o consumidor, é um doce engano que apenas faz perder tempo a quem, muitas vezes, sabe que já não tem mais tempo a perder. E, nestes casos, tempo é dinheiro.
Como mediador e, principalmente, como presidente da associação de mediadores imobiliários também tenho a obrigação de tornar pública esta minha reflexão que interessa, de igual modo, a mediadores, promotores e consumidores. É que a tradição, neste campo como noutros, já não é o que era...
José Eduardo Macedo
APEMIP


