Rendimentos de capitais e número de descendentes também vão ser controlados.
O Fisco vai apertar o controlo às vendas de casas de luxo. "Pese embora o decréscimo global de vendas, o sector imobiliário de luxo continua activo e, tratando-se de um sector de risco, será objecto de análise tendo em vista o planeamento e operacionalização de procedimentos de inspecção", pode ler-se na versão preliminar do Relatório do Orçamento do Estado para 2011 a que o Diário Económico teve acesso.
A medida insere-se num pacote mais abrangente de combate à fraude e evasão fiscais, sendo que algumas das medidas já tinham sido anunciadas pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Sérgio Vasques, quando foi ouvido no Parlamento no âmbito do relatório do Combate à Fraude e Evasão Fiscais de 2009.
Entre outras alterações está previsto um controlo maior dos impostos retidos - do IVA e do IRS a entregar ao Estado, "evitando uma eventual acumulação de dívidas de acrescida dificuldade de regularização". Além disso, haverá uma contabilização dos rendimentos obtidos por empresas e pagos através de cartões de débito e crédito, com informação obtida através dos bancos. Será também confirmada a compatibilidade dos rendimentos obtidos com aplicações financeiras, como juros ou mais-valias, por exemplo, com os rendimentos declarados.
No âmbito do IRS, também haverá um maior controlo nalguns aspectos. Prevê-se, por exemplo, a atribuição obrigatória de um número de identificação fiscal a todos os membros do agregado familiar, de modo a prevenir a fraude na declaração de imposto, nomeadamente através da integração do mesmo dependente em mais que um agregado, ou de inclusão de um maior número de dependentes do que os efectivamente existentes. Na prática, todos os bebés e crianças terão de ter um número de identificação fiscal, para que os pais os possam considerar dependentes para efeitos do IRS.
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